Duas matérias do Jornal de Santa Catarina. A primeira apresenta as maiores enchentes e a metragem oficial:
1852- dois anos após a fundação : 16,30m
1880: 17,10m
1983: 15,34m
1984:15,46m
Enchente de 1911 foto da Rua 15 de Novembro, próximo a Casa Husadel. Ao fundo aparece a antiga Igreja Católica, local em que atualmente fica a torre da Igreja Matriz de São Paulo Apóstolo.
Em 1983 fiquei presa com meus pais e irmãos no sótão de uma casa na Rua São Paulo nº 2661, local em que atualmente tem um prédio da Empresa Fiedler. Foram dias sem energia elétrica, com comida racionada e de intensa angústia pois não tínhamos notícias do que ocorria no restante da cidade, com nossos familiares e amigos. Tínhamos um rádio à pilha em que ouvíamos os pedidos de socorro de toda parte. A comida era preparada com o auxílio de um pequeno bujão de gás, uma vizinha nos enviava café com a ajuda de pessoas que passavam de bateira socorrendo e auxiliando as pessoas. Como praticamente perdemos todos nossos bens, passamos a alugar um apartamento que por sorte estava vago na frente de nossa casa. Lembro de um dos últimos dias que ainda estávamos ilhados no sótão da alegria de ver meu cunhado Alfredo e seu irmão chegando com saborosíssimo churrasco, que comemos em poucos minutos tal era a fome , principalmente de comida salgada que já começávamos a apresentar. Me emociono sempre que me vem à mente esta cena. Na realidade embora tivesse acompanhado várias enchentes na cidade esta foi a primeira que minha família e eu realmente vivenciou.
No ano seguinte 1983, Blumenau foi atingida por uma enchente de proporções similares, porém nós já nos encontrávamos no apartamento. No entanto, vivemos bastante angústia, pois meus dois irmãos recém-casados tiveram suas casas atingidas. Inclusive um deles tinha um filho de apenas uma semana que fomos buscar ao saber da previsão de enchentes. Meus irmãos e uma de minhas cunhadas, não conseguiram mais vir para nosso apartamento e ficaram alojados em casas de amigos próximos às suas casas.